Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008
Terça-feira, Fevereiro 26, 2008
Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008
Sejamos francos: o problema de Hillary Clinton é ser mulher. E não se trata de ser um panzer como Angela Merkl, por exemplo. Estamos a falar de uma pessoa que perante o anúncio mundial da traição do marido, Bill Clinton, na altura Presidente dos Estados Unidos da América, tem uma reacção tipicamente feminina: perdoa o marido e afirma em alto e bom som que não o tenciona abandonar. Esta decisão implica custos elevados num mundo constituído não por famílias mas por indivíduos, e que depressa condena decisões conservadoras como esta. Numa época em que a mulher não tem nada que ser mulher de ninguém, a democrata Clinton optou publicamente por não deixar de o ser. Este pormenor decisivo não abona a seu favor, porque a apresenta ao eleitorado como um ser feminino convencional. Ser uma mulher com atitudes clássicas e ter ambição política parecem ser dois modos de vida muito dificilmente conciliáveis. Será um bocadinho como querer ter tudo, intolerável mesmo na terra da liberdade, da oportunidade e da busca da felicidade, em que de facto há a possibilidade de ter tudo. Mas não para Hillary Clinton. Porque é que uma mulher na liderança assusta? Terá uma mulher de abdicar da sua condição feminina para ser considerada capaz de ocupar um cargo de poder?
Publicado hoje no Meia-Hora. Deixe os seus comentários através do número 21 351 05 90. A sua voz vai para o ar na Rádio Europa à sexta-feira, às 10h45 e ao domingo, às 14h15. Pode também comentar por escrito no Jazza-me Muito.
Tivesse destruído ele
Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 23-02-08.
Domingo, Fevereiro 24, 2008
(O actor genial desta cena memorável de Singin' In The Rain chama-se Donald O'Connor. E continuo orgulhosamente só a detestar Ricky Gervais.)
Seguindo a dica da Helena fui pesquisar o episódio de Twilight Zone de que me falou. Time Enough At Last é uma história fantástica sobre um leitor, Henry Beamis, que ninguém deixa que se dedique à sua actividade mais querida: ler, precisamente. A ver a segunda parte e o final do episódio, claro. Vale muito a pena. Obrigada!
Sábado, Fevereiro 23, 2008
Eu hoje acordei assim...

Scarlett Johansson (fotografia roubada ao Vida Breve)
... ui, que estou atrasada para o almoço!
Sexta-feira, Fevereiro 22, 2008
Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008
Sonnet CV
Let not my love be call'd idolatry,
Nor my beloved as an idol show,
Since all alike my songs and praises be
To one, of one, still such, and ever so.
Kind is my love to-day, to-morrow kind,
Still constant in a wondrous excellence;
Therefore my verse to constancy confined,
One thing expressing, leaves out difference.
'Fair, kind and true' is all my argument,
'Fair, kind, and true' varying to other words;
And in this change is my invention spent,
Three themes in one, which wondrous scope affords.
'Fair, kind, and true,' have often lived alone,
Which three till now never kept seat in one.
Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008
Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

Segunda-feira, Fevereiro 18, 2008
Muitos séculos de melodrama
É comum ouvirmos de casais desavindos queixas amorosas do género «não somos capazes de viver um com o outro, mas também não conseguimos viver um sem o outro». Esta revelação de incapacidade de relacionamento está muito longe de ser novidade. Basta lermos a frase em Ovídio: «Assim, nem sem ti nem contigo sou capaz de viver» (Amores, III, 11b, 7, tradução de Carlos Ascenso André). Rapidamente imaginamos a novela sofredora, as separações seguidas de reconciliações por sua vez seguidas mais uma vez por separações. Pensando bem, talvez a perfeita relação sado-masoquista seja aquela que se resume a esta frase. A incerteza é fundamental para manter uma ilusão de paixão, como se estar completamente apaixonado por outra pessoa precisasse da instabilidade para confirmar o sentimento. Gostar muito de alguém não depende de ambiguidades, dúvidas nem desequilíbrios emocionais. Mas não há nada a fazer, a natureza humana é complexa, não é? Pois se até os U2 cantam «I can’t live with or without you» em alto e bom som…
Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 16-02-08.
"Quem anda à chuva molha-se" é um dos nossos piores provérbios. Imagino sempre o pior de quem o profere e o melhor da vítima do moralismo bacoco (passo a redundância), que, muito satisfeita, canta e dança como Gene Kelly em Singin' In The Rain. "Andar à chuva" significa, neste contexto proverbial, provocar uma situação a evitar porque as consequências são evidentemente as piores. Hm, e os chapéus-de-chuva? E as impecáveis e impermeáveis gabardinas? E as galochas de alta-costura? Há quem ande à chuva mais protegido, outros preferem tapar a cabeça cm um jornal e outros ainda enfrentam as tempestades com a certeza de que um banho quentinho os espera no fim da travessia marítima. A expressão que acompanha este provérbio (ou que por vezes o substitui) é a sobejamente conhecida "estava-se mesmo a ver". Em Portugal, temos um vidente em cada esquina! Mas até os nossos videntes são especiais: falo daqueles que sabem que tudo aconteceu depois de tudo ter de facto acontecido. São os mesmos que têm o conhecimento adquirido do género "quem anda à chuva molha-se", mesmo que nunca tenham sequer posto o pé fora de casa, quanto mais chapinhado alegremente na via pública em pleno temporal.
Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-02-07.
Domingo, Fevereiro 17, 2008
Óptimas imagens de Atenas (ah, tantas saudades) e um início completamente ao meu gosto: "Sócrates era muito feio". A ver a segunda parte e a terceira também.
Terceiro conselho: perceber que não controlamos nada, que a Fortuna faz o que tem a fazer e que é independente de nós. Sim, mas mesmo que aceitemos que tudo pode correr mal e que estejamos preparados para o pior, não me parece bom que não soframos quando o mal acontece. Perante a perda de um ente querido (seguindo mais uma vez um exemplo dado nesta parte do documentário), mesmo sabendo que essa perda é inevitável, não sofrer é um sinal de desumanidade.
Segundo conselho: reflectir sobre todas as coisas que podem correr mal para poder viver com serenidade o dia em que tudo realmente corre mal. Mas a pergunta a fazer aos que pensam que têm o dom de controlar o destino, a surpresa, a frustração - e os outros, a questão é essa - é who the hell do you think you are?
Primeiro conselho: ser menos optimista, reduzir as expectativas que temos em relação aos outros para não nos desiludirmos nem termos crises de ira. É então possível concluir daqui que Séneca acreditava que quem tem expectativas, de certa forma, está certo, o que não é de todo verdade. Quem espera que os outros conduzam bem (mantendo o exemplo apresentado por Allain de Botton) e nunca cometam erros está a dizer de si próprio que tem uma condução irrepreensível e nunca erra, e que, por isso mesmo, tem toda a razão em não aceitar que os outros guiem mal. Mas assim as suas expectativas são simplesmente irrealizáveis. Como tal, porquê tê-las? Freud responderá melhor a esta pergunta.
Eu hoje acordei assim...

Milla Jovovich
Sábado, Fevereiro 16, 2008
Séneca, sempre©
(Assim temos mais uma divisão do mundo: aqueles que sabem Rapper's Delight de cor e o resto da população mundial.)
Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008
Eu hoje acordei assim...

Elle McPherson
Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008
Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008
Um magnífico contributo da Sofia para a série E o que eu gosto de sapateado, senhores! Obrigada!
| You Are 8% Democrat |
![]() |
Just like I thought / They were in the same spot / In need of some desperate help / The Nate Dogg and the G-child / Were in need of something else
| You Are Scissors |
![]() Sharp and brilliant, you can solve almost any problem with that big brain of yours. People fear your cutting comments - and your wit is famous for being both funny and cruel. Deep down, you tend to be in the middle of an emotional storm. Your own complexity disturbs you. You are too smart for your own good. Slow down a little - or you're likely to hurt yourself. |
Terça-feira, Fevereiro 12, 2008
- Coisa: em grego pragma.
- Eu: em grego ego.
- Inconsciente: em freudiano id.
- Pesadelo: em inglês nightmare.
- Aporia: em português, sem solução à vista.
- Hipérbole: o que seria de mim sem ela?
- Galhofa: porque soa tão bem que dá vontade de rir.
- Autoridade: em latim auctoritas.
- Saudade: em alemão Sehnsucht.
- Verdade: em grego alitheia.
- Bondade: subvalorizada quando pouco é mais importante.
- Totó: uma palavra que dispensa tanta outras.
Segunda-feira, Fevereiro 11, 2008
Dever de cuidado
Não sou jurista nem advogada nem magistrada nem juíza nem alguma vez sequer pus o pé nalguma faculdade de Direito. Não trato as leis por tu – longe disso, por favor! – e só não as ignoro profundamente porque há uns senhores de farda azul e óculos escuros que depois me levam para um sitio frio e me obrigam a usar um casaco com capuz enorme. No entanto, não queria deixar de chamar a atenção para um belíssimo e inspirador conceito jurídico: o dever de cuidado. Todos sabemos que as nossas acções têm consequências. Sempre que os efeitos dessas acções não são danosos, não faz sentido falarmos de falta de cuidado. Mas se as consequências de uma acção ou omissão forem nefastas para outros, então teremos de pensar não na intenção com que tal acto foi praticado, mas no seu resultado, no desfecho daquela acção em particular. Quantas vezes ouvimos dizer que não houve má intenção por parte de fulano quando disse aquilo ou de sicrana quando fez ou não fez o outro? Perante resultados claramente desastrosos não é assim tão difícil descobrir o culpado. Temos a obrigação de saber que temos de ter cuidado com os outros.
Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-02-08.
Ser adulto
Em que momento podemos afirmar que somos adultos sem corrermos o risco de alguém com mais autoridade ou conhecimento de causa nos contradizer? «Quando somos independentes», responde a senhora de chapéu lilás sentada na segunda fila, muito bem. «Quando somos responsáveis por outros», exclama um senhor exaltado, mas não é caso para tanto. «Quando queremos estar longe do que cheira mal», responde uma menina demasiado pequenina para entrar neste debate. Todas as respostas estão correctas mas a última está um bocadinho mais correcta do que as anteriores, obrigada, agora vá brincar com os seus amigos. Pois afastarmo-nos de locais com intenso cheiro a enxofre é aconselhável, mas é normal haver gente nesses locais que nunca dá pelo pivete. «Não me cheira a nada», insistem connosco sempre que perguntamos se a canalização funciona. Naquele preciso instante somos testados. Teremos crescido ou não? Se inspirando o fedor repetirmos em voz baixa que podia ser pior, a prova não é superada. Mas se percebermos que aquele bairro não é o nosso e nos despedirmos com um sorriso, então começa a maravilhosa vida adulta. No dia em que não duvidamos de que virar as costas é a resposta certa.
Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-02-08.
Domingo, Fevereiro 10, 2008
| You Are Animal |
![]() A complete lunatic, you're operating on 100% animal instincts. You thrive on uncontrolled energy, and you're downright scary. But you sure can beat a good drum. "Kill! Kill!" |
Sábado, Fevereiro 09, 2008
Eu hoje acordei assim...

Elizabeth Shue
Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008
Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008
Agradeço os contributos do Miguel e do Rui para a série Os japoneses não existem. Obrigada a ambos!
Terça-feira, Fevereiro 05, 2008
Eu hoje acordei assim...

Naomi Watts (fotografia de Ben Watts)
Segunda-feira, Fevereiro 04, 2008
Dois só para o tango
Garry Willis pergunta com muita pertinência no The New York Times se, no caso de Hillary vencer as eleições, os americanos não terão elegido dois presidentes em vez de um. Não parece possível pensar em Bill Clinton como alguém que se resigna a obrigações protocolares. Mas a verdade é que não imaginamos como desempenhará as suas funções, pois a situação será nova para todos. Por outro lado, Hillary teve uma presença activa durante a presidência de Bill e menos não podemos esperar do seu marido. Poder-se-ia pensar que duas cabeças executivas são sempre melhores a pensar do que uma. No entanto, a história ensina-nos que a divisão do poder e da responsabilidade é mais que desaconselhável. Nem sequer é preciso lembrar os triunviratos romanos e o derramamento de sangue que provocaram para concordarmos que se trata de uma péssima ideia. Pensemos, por exemplo, no presidente George W. Bush, que tem como vice-presidente Dick Cheney, um homem com uma liberdade de acção muito maior do que a habitual neste cargo. Será de prever que com ainda maior à-vontade Hillary dê cobertura às iniciativas do marido. E se depois der para o torto, de quem é a culpa?
Domingo, Fevereiro 03, 2008
Fui ontem apresentada a Dylan Moran, muito gosto. Mais uma série de dez partes no bomba, desta vez do espectáculo de stand-up comedy com o sugestivo nome Monster. Dediquem um bocado do vosso dia a ver tudo, vale mesmo muito a pena. Aqui fica o resto: segunda parte; terceira, quarta, quinta, sexta, sétima, oitava, nona e décima. Enjoy!
Eu hoje acordei assim...

Grace Kelly
Sábado, Fevereiro 02, 2008
Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008
Eu hoje acordei assim...



















