Bomba de Ouro: "Rabi – Não sei explicar, adoro a palavra rabi. Lá na minha rua (na Margem) utilizava-se muito, em contextos como: "Já alguma vez tinhas pensado, Rabi?" "Népia, Rabi, nunca pensei". Enfim." batukada, claro.
blogue de carla hilário de almeida quevedo bombainteligente@gmail.com
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Muitos séculos de melodrama
É comum ouvirmos de casais desavindos queixas amorosas do género «não somos capazes de viver um com o outro, mas também não conseguimos viver um sem o outro». Esta revelação de incapacidade de relacionamento está muito longe de ser novidade. Basta lermos a frase em Ovídio: «Assim, nem sem ti nem contigo sou capaz de viver» (Amores, III, 11b, 7, tradução de Carlos Ascenso André). Rapidamente imaginamos a novela sofredora, as separações seguidas de reconciliações por sua vez seguidas mais uma vez por separações. Pensando bem, talvez a perfeita relação sado-masoquista seja aquela que se resume a esta frase. A incerteza é fundamental para manter uma ilusão de paixão, como se estar completamente apaixonado por outra pessoa precisasse da instabilidade para confirmar o sentimento. Gostar muito de alguém não depende de ambiguidades, dúvidas nem desequilíbrios emocionais. Mas não há nada a fazer, a natureza humana é complexa, não é? Pois se até os U2 cantam «I can’t live with or without you» em alto e bom som…
Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 16-02-08.
É comum ouvirmos de casais desavindos queixas amorosas do género «não somos capazes de viver um com o outro, mas também não conseguimos viver um sem o outro». Esta revelação de incapacidade de relacionamento está muito longe de ser novidade. Basta lermos a frase em Ovídio: «Assim, nem sem ti nem contigo sou capaz de viver» (Amores, III, 11b, 7, tradução de Carlos Ascenso André). Rapidamente imaginamos a novela sofredora, as separações seguidas de reconciliações por sua vez seguidas mais uma vez por separações. Pensando bem, talvez a perfeita relação sado-masoquista seja aquela que se resume a esta frase. A incerteza é fundamental para manter uma ilusão de paixão, como se estar completamente apaixonado por outra pessoa precisasse da instabilidade para confirmar o sentimento. Gostar muito de alguém não depende de ambiguidades, dúvidas nem desequilíbrios emocionais. Mas não há nada a fazer, a natureza humana é complexa, não é? Pois se até os U2 cantam «I can’t live with or without you» em alto e bom som…
Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 16-02-08.
Provérbios do nosso descontentamento
"Quem anda à chuva molha-se" é um dos nossos piores provérbios. Imagino sempre o pior de quem o profere e o melhor da vítima do moralismo bacoco (passo a redundância), que, muito satisfeita, canta e dança como Gene Kelly em Singin' In The Rain. "Andar à chuva" significa, neste contexto proverbial, provocar uma situação a evitar porque as consequências são evidentemente as piores. Hm, e os chapéus-de-chuva? E as impecáveis e impermeáveis gabardinas? E as galochas de alta-costura? Há quem ande à chuva mais protegido, outros preferem tapar a cabeça cm um jornal e outros ainda enfrentam as tempestades com a certeza de que um banho quentinho os espera no fim da travessia marítima. A expressão que acompanha este provérbio (ou que por vezes o substitui) é a sobejamente conhecida "estava-se mesmo a ver". Em Portugal, temos um vidente em cada esquina! Mas até os nossos videntes são especiais: falo daqueles que sabem que tudo aconteceu depois de tudo ter de facto acontecido. São os mesmos que têm o conhecimento adquirido do género "quem anda à chuva molha-se", mesmo que nunca tenham sequer posto o pé fora de casa, quanto mais chapinhado alegremente na via pública em pleno temporal.
Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-02-07.
"Quem anda à chuva molha-se" é um dos nossos piores provérbios. Imagino sempre o pior de quem o profere e o melhor da vítima do moralismo bacoco (passo a redundância), que, muito satisfeita, canta e dança como Gene Kelly em Singin' In The Rain. "Andar à chuva" significa, neste contexto proverbial, provocar uma situação a evitar porque as consequências são evidentemente as piores. Hm, e os chapéus-de-chuva? E as impecáveis e impermeáveis gabardinas? E as galochas de alta-costura? Há quem ande à chuva mais protegido, outros preferem tapar a cabeça cm um jornal e outros ainda enfrentam as tempestades com a certeza de que um banho quentinho os espera no fim da travessia marítima. A expressão que acompanha este provérbio (ou que por vezes o substitui) é a sobejamente conhecida "estava-se mesmo a ver". Em Portugal, temos um vidente em cada esquina! Mas até os nossos videntes são especiais: falo daqueles que sabem que tudo aconteceu depois de tudo ter de facto acontecido. São os mesmos que têm o conhecimento adquirido do género "quem anda à chuva molha-se", mesmo que nunca tenham sequer posto o pé fora de casa, quanto mais chapinhado alegremente na via pública em pleno temporal.
Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-02-07.
domingo, fevereiro 17, 2008
Alain de Botton sobre Sócrates
Óptimas imagens de Atenas (ah, tantas saudades) e um início completamente ao meu gosto: "Sócrates era muito feio". A ver a segunda parte e a terceira também.
Óptimas imagens de Atenas (ah, tantas saudades) e um início completamente ao meu gosto: "Sócrates era muito feio". A ver a segunda parte e a terceira também.
Alain de Botton sobre Séneca (3)
Terceiro conselho: perceber que não controlamos nada, que a Fortuna faz o que tem a fazer e que é independente de nós. Sim, mas mesmo que aceitemos que tudo pode correr mal e que estejamos preparados para o pior, não me parece bom que não soframos quando o mal acontece. Perante a perda de um ente querido (seguindo mais uma vez um exemplo dado nesta parte do documentário), mesmo sabendo que essa perda é inevitável, não sofrer é um sinal de desumanidade.
Terceiro conselho: perceber que não controlamos nada, que a Fortuna faz o que tem a fazer e que é independente de nós. Sim, mas mesmo que aceitemos que tudo pode correr mal e que estejamos preparados para o pior, não me parece bom que não soframos quando o mal acontece. Perante a perda de um ente querido (seguindo mais uma vez um exemplo dado nesta parte do documentário), mesmo sabendo que essa perda é inevitável, não sofrer é um sinal de desumanidade.
Alain de Botton sobre Séneca (2)
Segundo conselho: reflectir sobre todas as coisas que podem correr mal para poder viver com serenidade o dia em que tudo realmente corre mal. Mas a pergunta a fazer aos que pensam que têm o dom de controlar o destino, a surpresa, a frustração - e os outros, a questão é essa - é who the hell do you think you are?
Segundo conselho: reflectir sobre todas as coisas que podem correr mal para poder viver com serenidade o dia em que tudo realmente corre mal. Mas a pergunta a fazer aos que pensam que têm o dom de controlar o destino, a surpresa, a frustração - e os outros, a questão é essa - é who the hell do you think you are?
Alain de Botton sobre Séneca (1)
Primeiro conselho: ser menos optimista, reduzir as expectativas que temos em relação aos outros para não nos desiludirmos nem termos crises de ira. É então possível concluir daqui que Séneca acreditava que quem tem expectativas, de certa forma, está certo, o que não é de todo verdade. Quem espera que os outros conduzam bem (mantendo o exemplo apresentado por Allain de Botton) e nunca cometam erros está a dizer de si próprio que tem uma condução irrepreensível e nunca erra, e que, por isso mesmo, tem toda a razão em não aceitar que os outros guiem mal. Mas assim as suas expectativas são simplesmente irrealizáveis. Como tal, porquê tê-las? Freud responderá melhor a esta pergunta.
Primeiro conselho: ser menos optimista, reduzir as expectativas que temos em relação aos outros para não nos desiludirmos nem termos crises de ira. É então possível concluir daqui que Séneca acreditava que quem tem expectativas, de certa forma, está certo, o que não é de todo verdade. Quem espera que os outros conduzam bem (mantendo o exemplo apresentado por Allain de Botton) e nunca cometam erros está a dizer de si próprio que tem uma condução irrepreensível e nunca erra, e que, por isso mesmo, tem toda a razão em não aceitar que os outros guiem mal. Mas assim as suas expectativas são simplesmente irrealizáveis. Como tal, porquê tê-las? Freud responderá melhor a esta pergunta.
Eu hoje acordei assim...

Milla Jovovich

Milla Jovovich
... está a chover, a visibilidade é fraca, mas estes pormenores não tornam este dia num dia feio, muito pelo contrário. A água é precisa (muito necessária, aliás, como bem sabem os que seguem o bomba) e uma certa nebulosidade também nem sempre é má. Este blogue já cresceu o suficiente para aceitar o lusco-fusco; que é como quem diz, a ambiguidade. Mas coisa gira, mesmo muito gira, é a escolha de palavras da Fátima e da Fátima Júnior. Uma beleza!
sábado, fevereiro 16, 2008
Séneca, sempre©
"Observações sobre os costumes, sobre os deveres, é possível fazê-las de um modo geral e por escrito; são conselhos que se podem dar não só a ausentes, como até à posteridade. Mas a maneira e a ocasião de tomar uma decisão concreta, isso ninguém pode aconselhá-lo à distância, é forçoso deliberar em face das próprias circunstâncias. Para captar a oportunidade no momento justo é preciso não só estar presente, como estar atento. Põe-te, por conseguinte na expectativa, e assim que surpreenderes a oportunidade agarra-a com toda a rapidez, com toda a energia, e liberta-te definitivamente desses teus falaciosos deveres! Repara bem no conselho que te dou: em meu entender tens de libertar-te desse tipo de vida, ou de deixar a vida, sem mais. Mas penso também que deves proceder gradualmente, que é preferível desatar do que cortar os laços em que, para teu mal, te enredaste, na condição, porém, de estares disposto a cortá-los se não houver maneira alguma de os desatar." Cartas a Lucílio, I, 22, 2-4.
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Eu hoje acordei assim...

Elle McPherson

Elle McPherson
... a pensar numa coisa importantíssima e também que 1) gostei de Californication, embora tenha ficado com uma sensação muito estranha de been there, done that and got a life; 2) adorei o episódio em que Sherlock Holmes aparece no consultório do Dr. Watson três anos depois de ter sido dado como morto na Suíça (chorei baba e ranho, claro). Três anos passaram e o homem regressa ao trabalho como se nada fosse e nem um beijinho, um abraço, uma lágrima ao canto do olho, nada; os festejos resumem-se a uma taça de champanhe trazida pela Mrs. Hudson e só quando o caso é resolvido. Percebo mas está mal, que diabo! Um pouco mais de afectividade, por favor; e 3) a pensar que gosto muito de um tom de cinzento metalizado ou muito claro, quase brilhante, que lembra uma luz de hospital.
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
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