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terça-feira, setembro 02, 2003

O Américo de Sousa respondeu à minha primeira pergunta (a ambiguidade é um erro?), felizmente, de uma maneira que exclui a ambiguidade. Se a resposta fosse ambígua, não se perceberia. Porque a ausência de ambiguidade é o mais importante, para não provocarmos a dúvida, quando o que se pede é um pedido de explicação.

Entendo, por isso, que possa depender da situação. Mas será o recurso à ironia uma espécie de utilização da ambiguidade? No exemplo referido entre Churchill e Shaw, ambos partilham de um determinado código, que lhes permite perceber perfeitamente o que querem dizer. Afinal, existe ambiguidade no exemplo?

Admito: para mim (e este "para mim" é o mais complicado de perceber e a ele voltarei um dia), a ambiguidade é um erro, porque é algo indeterminado e vago. Porque se muitas pessoas não percebem o que o outro diz, isso significa que há um erro no discurso. A ironia parece-me ser outra coisa (uns percebem, outros não; uns têm mais sentido de humor do que outros; uns são ingleses, os outros alemães etc.).

Convém esclarecer que falo da escrita de todos os dias, dos ensaios, da redacção de notícias e não, por exemplo, da poesia.

É provável que o meu problema resida no uso da palavra "ambiguidade" numa descrição ou numa justificação. Numa aula perguntou-se se os epitáfios eram explicações literárias (mais uma pergunta curta que convida ao diálogo). Todos responderam de uma maneira mais barroca ou menos floreada que sim. Fui a única que discordei e que o justifiquei dizendo que todos merecemos um epitáfio, mas nem todos merecemos uma explicação literária. Isto porque acredito que as palavras não se substituem umas às outras.

Continuemos, Américo! Estou a gostar muitíssimo.

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