blogue de carla hilário de almeida quevedo bombainteligente@gmail.com

quinta-feira, junho 30, 2005

Estado em que se encontra este blogue

Eu sabia que isto estava escrito em qualquer sítio (28)

"It is perhaps only normal if our initial impulse on being introduced to the characters of The Odyssey is to stare at them as though they are a family of duck-billed platypuses circling their enclosure in the municipal zoo. (...) But an advantage of more prolonged encounters with Proust or Homer is that worlds that had seemed threateningly alien reveal themselves to be essentially much like our own, expanding the range of places in which we feel at home. It means we can open the zoo gates and release a set of trapped creatures from the Trojan War or the Faubourg Saint-Germain, who we had previously considered with unwarranted provincial suspicion, because they had names like Eurycleia and Telemachus or had never sent a fax."

Alain de Botton, How Proust can change your life, London, Picador, pp. 26-27.

quarta-feira, junho 29, 2005

The sound of bomba: a segunda proposta do DJ Chalabi Red é Iest Sexy, da Mahala Rai Banda. Excelente!
Cenas da vida conjugal

- Assaltaram-nos o porta-bagagens!
- Senequiza, querido. Senequiza.
I bet you say that to all the boys: Maradona sobre João Miranda.
So many women, so little time


Britney Spears

Blogue de gaja
Na blogosfera lusa
Só há um
É o Opiniondesmaker
Só ele, e mais nenhum

Um abraço deste blogue político que o estima,
Bomba Inteligente
Estado em que se encontra este blogue: throwing rocks at the boys. Obrigada, Nuno!
Última hora: o meu Marido acaba de me confessar que no período de tempo entre a paragem do DVD e a ida ao clube de vídeo (cerca de meio dia), viu o resto do filme em fast-forward e chegou ao final. Parece que a Alice se chamava Jane Jones. Ui. O que eu perdi.
O mais longe possível: Na semana passada, vi Closer. Minto: vi metade. Minto: vi até à cena em que Clive Owen encontra Natalie Portman de peruca cor-de-rosa num bar de strip. Depois, como qualquer pessoa normal, adulta, saudável e com mais que fazer (mesmo que seja olhar para as paredes ou ver o gato a passar), desliguei e dirigi-me ao clube de vídeo para devolver o DVD. Exigi que me devolvessem o dinheiro. Afinal de contas, prometeram-me "uma história de amor para adultos" e fui obrigada a aturar fantasias de adolescentes. Depois de invocar os péssimos diálogos, a foleirada das personagens e a estupidez das situações, deram-me um crédito e mais um carimbo no cartão de fidelidade. Acabei por ser reembolsada e indemnizada.

terça-feira, junho 28, 2005

Six Feet Under Notes: o nerd que fez de morto e os amigos nerds que tentaram roubar do caixão aquele número um da bd de 19equarentas. David: "Celeste is a woman, isn't she?" e a cara de nojo. Os meus diálogos favoritos desta série são aqueles entre Keith e David: os mais imorais, desviantes, verdadeiros. O sonho de David com boobs é hilariante! Claire justifica-se a Anita por causa da nega a Edie: "Wasn't personal. It just didn't do it for me." Claro, coitadinha da miúda. A história da fobia do paciente de Brenda e, principalmente, a vontade que Brenda tem de o curar (medo) vai dar asneira. Entretanto, George chora (about time!) e Ruth arrepende-se da road trip que acaba com um cavalo morto na praia. Desagradável. Cláudia, Billy voltou! E da Patagónia, of all places. No sonho de Nate (demasiado longo) ninguém fica. O que Nate teme? O que Nate pretende? Esta coisa dos sonhos é uma chatice. Literalmente. E Anita com a melhor frase, depois de ver as cuecas dobradas: "That's so fucking sweet." E é. Pergunta: quais eram as Pirata? Só me lembro das Gorila. (wip completed. Over and out.)
Bomba de Ouro: "Um dia todos nós vem-se para sempre", no Malapata.
The sound of bomba: no outro dia, em conversa com o meu amigo Chalabi Red, propus-lhe que participasse nesta rubrica do bomba. O Chalabi Red aceitou! A cargo do armazém dos discos está, como sempre, a nossa querida Vieira do Mar. A primeira proposta do DJ é o tema Sunshowers, da M.I.A. Uma maravilha. Obrigada!
Modo de vida: la donna e mobile.
E mais um! Beijos ao Luís e à Sofia do blogue A Natureza do Mal, que hoje cumpre dois anos de existência na blogosfera. Estou a começar a mudar de opinião: dois anos é pouquíssimo tempo, tanto na blogosfera como fora dela (como se a distinção fosse possível). Muitos parabéns!

segunda-feira, junho 27, 2005

Porque é que adoro Desperate Housewives (6)

"People are complicated creatures. On the one hand, able to perform great acts of charity. On the other, capable of the most underhanded forms of betrayal. It's a constant battle that ranges within all of us, between the better angels of our nature, and the temptation of our inner demons. And sometimes the only way to ward off the darkness is to shine the light of compassion."

Final do nono episódio, Suspicious Minds.

Adenda: Excelente, Miss Pearls. Levantei-me do sofá.
Modo de vida: "So much we've got to say but so little time", de J.Lo, Get Right.
Terras do Nunca de parabéns ao JMF por dois anos de blogosfera! Dois anos no es nada.

sábado, junho 25, 2005

Estado em que se encontra este blogue


Demi Moore

A ouvir Roberto Goyeneche. Gosto da raiva, da intensidade. O maior, depois de Gardel.
Modo de vida: "no me importa lo que has hecho, lo que hacés, ni lo que harás/ los favores recibidos creo habértelos pagado/ y si alguna deuda chica sin querer se me ha olvidado/ en la cuenta del otario que tenés se la cargás", os meus versos favoritos do tangaço Mano a Mano, que podem ouvir no blogue A Praia.

sexta-feira, junho 24, 2005

E 94 também não: feliz cumpleaños a Ernesto Sábato.
70 años no es nada: a ler tudo.
Estado em que se encontra este blogue


Fotografia de José María Silva, 1933.

Carlos Gardel morreu há 70 anos. Como homenagem ao maior cantor de tango de sempre escolhi o tema Volver, dos moderníssimos Loción Migré, para que possamos perceber como o espírito de Gardel se mantém - e assim temos a verdadeira influência. Peço-vos que liguem as colunas.

Mensagem escrita: Hernán e Ferdi, los extraño mucho. Besitos.

quinta-feira, junho 23, 2005

Blockbomba: Eulogy (curioso).
Apio verde! Para o ...Blogo Existo, que completa hoje dois anos de vida na blogosfera. Parabéns!

quarta-feira, junho 22, 2005

Blockbomba: Napoleon Dynamite (gostei muito deste filme sobre totós. Toca na grafonola, Canned Heat, dos Jamiroquai, que o supertotó Napoleon dança no filme. A coreografia valeu a Jon Heder um MTV Movie Award).
Bomba de Ouro: para o Last Tapes. Simplesmente.
Modos de vida: "Tenho amor para dar àqueles que são genuinamente inocentes, bondosos, únicos, perspicazes, sinceros, espontâneos. 'E se antes de tudo odeio e fujo o que é impuro, profano e sujo' é só porque os meus pais assim o ensinaram", da gold (não faço o linque directo ao post de propósito).
Ninho de cucos (10)

O gato Varandas mudou o seu esquema diário de sono. Das 18 horas habituais passou para 23.
Eu hoje acordei assim...


Demi Moore

... porque é para o lado que durmo melhor.

terça-feira, junho 21, 2005

Cenas da vida conjugal

- E se puseres no nome Grande Torres?
- Dá Ronaldo Fontana.
- E se puseres Ronaldo Fontana?
- Dá Frangão Carvalho.
- E se puseres Frangão Carvalho?
- Dá Rafael Mendes.
- Então, está bem.
"Então e eu?"

Your Sexy Brazilian Name Is

Grande Torres

O teste mais genialmente estúpido

Your Sexy Brazilian Name Is

Renata Ribeiro

Blockbomba: Super Size Me.
Six Feet Under Notes



Caro Luís, tenho um problema: antipatizo com a personagem Brenda. Admito o preconceito, mas enquanto me auto-flagelo por ser quadrada, digo que Joe a descreveu de uma forma muito acertada: "cabra chata traidora e egoísta". Pronto, agora que me libertei desta agonia, já me sinto melhor. Edie e Claire fazem um bonito par, mas não funciona. Claire gosta da loira sexy, mas não chega para a tornar homossexual. A inutilidade desagradável de George enerva qualquer criatura e, sim Luís, está tão a pedi-las que até mete impressão. David "I'm Great" Fisher com o estômago às voltas, em pânico, com delírios de vingança a ouvir o padre a falar de perdão. Yeah, right! Era meter-lhe a pistola na boca e fazer-lhe exactamente o mesmo. Pois era.

Adenda: a Sara fala sobre os problemas da tradução e da legendagem. Também reparei nesse "I'm going to play Doom", claramente uma distracção da tradutora, não muito grave porque o engano é imediatamente esclarecido pela imagem de Nate a sentar-se em frente ao computador. Por experiência, sei que a tradução para audiovisuais é particularmente difícil. Enfim, traduzir Joyce será mais.

Segunda adenda: Luís, a única tentativa de que me lembro é aquela referida pela Cláudia: juntos à volta da fogueira. Mas desta vez, falta Ruth. E a morte no 24 não tem poupado LA. Acaba amanhã? Ricardo, já não me atrevo a dizer, "este foi dos melhores episódio que...", porque depois vem o seguinte e...

segunda-feira, junho 20, 2005

Coisas que melhoram algumas vidas (27)

Os excelentes Blogsportime, do Luís. A seguir.
Porque é que adoro Desperate Housewives (5)

O JMF refere a mentira como sendo a base de toda a série. Talvez. Tem o seu interesse? Tem. Mas são textos como este, ditos pela suicidada Mary Alice, que me fazem pensar que estamos perante alguma coisa de diferente.

"There is a widely read book that tells us everyone is a sinner. Of course, not everyone feels guilt over the bad things they do. In contrast, there are those who assume more than their share of the blame. There are others, who sooth their consciences with small acts of kindness. Or by telling themselves their sins were justified. Finally, there are the ones who simply vow to do better next time, and pray for forgiveness. Sometimes, their prayers are answered."

Final do oitavo episódio, Guilty, sem indicações cénicas.
Eu hoje acordei assim...


Marcia Cross aka Bree Van De Kamp

... tarde e com um galo preto a passar atrás, que também não é o Varandas.

sábado, junho 18, 2005

Estado em que se encontra este blogue

Ninho de cucos (9)

O Varandas não é um veado, não é uma zebra, não é uma girafa e não é um okapi.


E este não é o Varandas, mas é igual.
Porque é que adoro Desperate Housewives (4)

O Rui Henriques Coimbra explica na Única desta semana: "A série pode ser vista como apenas um arrazoado de mulheres vivendo dramaticamente os seus dramas triviais, mas passar um atestado de menoridade ao fenómeno é capaz de ser um erro. Facto é que o público se tem identificado com esses mesmos dramas triviais, e com as tais mulheres insípidas. Talvez porque tudo é um nadinha mais complicado do que parece."
Porque é que adoro Desperate Housewives (3)

De um e-mail do leitor Ricardo sobre os dois últimos episódios:

"1) Espero que o Desperate Housewives não descambe como o Twin Peaks. A personagem do filho da falecida está a ficar irritantemente misteriosa. Se aparecer algum anão esquisito deixo de ver.

2) A Bree deu, finalmente, um ar da sua graça. Ao contrário do marido, que irrita mais a cada episódio que passa. E aquele burrito enojava qualquer um.

3) Não simpatizo com o puto jardineiro. Tem ar de sonso. Deviam substitui-lo por outro actor. A Eva Longoria está muito bem assim. Pode e deve ficar até ao fim da série. Tal como a Teri Hatcher.

4) Achei perigosa aquela associação entre "enchermo-nos de comprimidos para ficarmos de bem com a vida", por parte da Lynette. Devo ser eu que estou a ver mal.

5) A sogra viciada no jogo está fantástica. É o que têm de bom estas séries americanas. Até o actor mais secundário é óptimo."
Adenda: ai vai papar, vai. Certinho como o sol.
Blockbomba: Meet the Fockers (Barbra Streisand rules!).
Bomba de Ouro: "18% de humidade, 37,8º C, sinto-me mergulhado numa má receita de bacalhau", no Impensável.

sexta-feira, junho 17, 2005

The sound of bomba



Para terminar a magnífica conjugação Robbie Williams/Finding Nemo, toca agora I Will Talk And Hollywood Will Listen, embora Dory e Nemo tenham chegado a Sydney. Não interessa.

quinta-feira, junho 16, 2005

Avizday: e é no melhor dia que o Aviz faz anos. Dois! Parabéns, Francisco!
O pequeno-almoço

"Mr Leopold Bloom ate with relish the inner organs of beasts and fowls. He liked thick giblet soup, nutty gizzards, a stuffed roast heart, liverslices fried with crustcrumbs, fried hencods' roes. Most of all he liked grilled mutton kidneys which gave to his palate a fine tang of faintly scented urine.
Kidneys were in his mind as he moved about the kitchen softly, righting her breakfast things on the humpy tray. Gelid light and air were in the kitchen but out of doors gentle summer morning everywhere. Made him feel a bit peckish.
The coals were reddening.
Another slice of bread and butter: three, four: right. She didn't like her plate full. Right. He turned from the tray, lifted the kettle off the hob and set it sideways on the fire. It sat there, dull and squat, its spout stuck out. Cup of tea soon. Good. Mouth dry. The cat walked stiffly round a leg of the table with tail on high.
- Mkgnao!
- O, there you are, Mr Bloom said, turning from the fire.
The cat mewed in answer and stalked again stiffly round a leg of the table, mewing. Just how she stalks over my writingtable. Prr. Scratch my head. Prr.
Mr Bloom watched curiously, kindly the lithe black form. Clean to see: the gloss of her sleek hide, the white button under the butt of her tail, the green flashing eyes. He bent down to her, his hands on his knees.
- Milk for the pussens, he said.
- Mrkgnao! the cat cried.
They call them stupid. They understand what we say better than we understand them. She understands all she wants to. Vindictive too. Cruel. Her nature. Curious mice never squeal. Seem to like it. Wonder what I look like to her. Height of a tower? No, she can jump me.
- Afraid of the chickens she is, he said mockingly. Afraid of the chookchooks. I never saw such a stupid pussens as the pussens.
- Mrkrgnao! the cat said loudly.
She blinked up out of her avid shameclosing eyes, mewing plaintively and long, showing him her milkwhite teeth. He watched the dark eyeslits narrowing with greed till her eyes were green stones. Then he went to the dresser, took the jug Hanlon's milkman had just filled for him, poured warmbubbled milk on a saucer and set it slowly on the floor.
- Gurrhr! she cried, running to lap.
He watched the bristles shining wirily in the weak light as she tipped three times and licked lightly. Wonder is it true if you clip them they can't mouse after. Why? They shine in the dark, perhaps, the tips. Or kind of feelers in the dark, perhaps.
He listened to her licking lap. Ham and eggs, no. No good eggs with this drouth. Want pure fresh water. Thursday: not a good day either for a mutton kidney at Buckley's. Fried with butter, a shake of pepper. Better a pork kidney at Dlugacz's. While the kettle is boiling. She lapped slower, then licking the saucer clean. Why are their tongues so rough? To lap better, all porous holes. Nothing she can eat? He glanced round him. No.
On quietly creaky boots he went up the staircase to the hall, paused by the bedroom door. She might like something tasty. Thin bread and butter she likes in the morning. Still perhaps: once in a way.
He said softly in the bare hall:
- I'm going round the corner. Be back in a minute.
And when he had heard his voice say it he added:
- You don't want anything for breakfast?
A sleepy soft grunt answered:
- Mn.
No. She didn't want anything."

James Joyce, Ulysses, London, Penguin Books, 2000, pp. 65-67.
Eu hoje acordei assim...


Christina Ricci

... e tomei um Bloomsday breakfast.

quarta-feira, junho 15, 2005

The sound of bomba



Continuando a associação Robbie Williams/Finding Nemo, depois de Beyond the Sea, toca agora Mack the Knife. Para ouvir com o som no máximo.
Modo de vida: "Just keep swimming, just keep swimming, what do we do, we swim", cantado por Dory, em Finding Nemo.
Blockbomba: Last Life in the Universe (desconcertante).

terça-feira, junho 14, 2005

Six Feet Under Notes


David: "Girls night out? I'm in."

David relaxa a fazer limpezas. Não passa de uma Bree Van-Com-As-Outras. E os ataques de pânico que não passam, o sofrimento, o trauma. Nem eu recuperei daquele episódio, quanto mais David! Celeste: "Please, don't minimize my depression. I would never do that to you." Celeste tornou-se, subitamente, uma das personagens mais sensíveis desta série. Claire tem uma fotografia muito boa que quer guardar só para ela. "What's so scary about getting close to someone?" No dia em que todos soubermos a resposta (ou em que essa resposta for a mesma para toda a gente), o mundo torna-se outra coisa. Ando a contar os episódios para o desagradabilíssimo George desaparecer do mapa. A coisa dos fósseis pode ter sido a machadada final. Não: a visita à irmã. Ruth "needs to chase Julia Roberts like a wild boar". E Luís, "Nathaniel is... Nathaniel" por oposição a "a cat is... a cat", mas não a "George is... George", porque "we all pick the same person over and over again". Adoro Kathy Bates! Bettina: "It's a show about the Elgin marbles. How focused can he be?" George está concentrado no acessório, no que não interessa a ninguém. Rico, já que tem a fama, fica com o proveito. E, finalmente, ao ver a cena de Lisa (o espectro) a atirar maçãs a Nate, lembrei-me da Metamorfose, de Kafka. Luís, também sofro do mesmo! Isto que tem a ver com aquilo, que por sua vez... Bom, a cena da Metamorfose é estranha: Gregor Samsa (o escaravelho), sai do quarto e o pai ataca-o, atirando-lhe maçãs. As primeiras rolam pelo soalho, mas as seguintes ficam coladas no corpo. Quer expulsá-lo do paraíso? Crucificá-lo? Salvá-lo? Talvez Lisa não tenha atirado maçãs a ninguém. Nesse caso, as frases anteriores ficam sem efeito.
Eu sabia que isto estava escrito em qualquer sítio (27)

"As minhas aversões são simples: a estupidez, a opressão, o crime, a crueldade, a música ambiente. Os meus prazeres são os mais intensos que o homem conhece: escrever e caçar borboletas."

de Vladimir Nabokov, Opiniões Fortes, Lisboa, Assírio & Alvim, 2005, p. 21.
The sound of bomba

segunda-feira, junho 13, 2005

Vou mudar a música: Desde que pus o tema do Six Feet Under a tocar na grafonola do bomba já nos deixaram o Juan, o René, o Vasco, o Eugénio e o Álvaro. E só Deus sabe quantos mais. Descansem em paz.
Free Michael©: not guilty!

domingo, junho 12, 2005

"Los años que viví en Europa son ilusorios, yo estuve siempre (y estaré) en Buenos Aires"*



Jorge Luis Borges prepara-se para receber uma jornalista. Fotografado por Sara Facio.


Na Biblioteca Nacional, em 1968. Fotografia de Sara Facio.


Fotografia de Sara Facio.

* frase de Jorge Luis Borges.

sábado, junho 11, 2005

Blockbomba: Lemony Snicket's A Series of Unfortunate Events (com um dos meus actores preferidos: Jim Carrey).

- Dinner is served. Puttanesca!
- What did you just call me?
Coisas simples©

"A finalidade sublime de Sócrates, e de Platão depois dele, era colocar a Virtude em alicerces lógicos inatacáveis; torná-la mais do que uma questão de opinião tradicional, sem exame; fazer dela um conhecimento exacto, que podia ser apreendido e ensinado. Um fim louvável - mas que levava em linha recta à República, a antítese profissional do amadorismo da polis; pois o exercício dos cidadãos na virtude - quer dizer, o governo da polis - deve ser confiado àqueles que sabem o que é a Virtude."

de H. D. F. Kitto, Os Gregos, Coimbra, Arménio Amado Editora, 1990, pp. 276-277.
The sound of bomba: na grafonola toca o tema principal da série Six Feet Under. O autor é o prolífico Thomas Newman.
Cenas da vida conjugal

- Olá. Chamo-me Carlos e há seis meses que não fumo.
- Olá, Carlos!
Ostracismo temporário


Natalie Portman

A falta de respeito (com graça) do António, que morde a mão que lhe deu de benzer - e com muito mais água do que pensa -, não pode ser por mim ignorada. Assim sendo, retiro ostensivamente o linque para o Opiniondesmaker, por um período mínimo de quatro dias e máximo de cinco (até terça ou quarta-feira, vá). Aconselho que, durante esse tempo, o menino outrora bendito rebole na relva fofa para recuperar aquilo que é bom e - em suma - se deixe de conversa de chacha (mesmo com graça). Caso reincida, recomendarei a quem de direito que seja ostracizado para a ilha do weblog.com.pt, de onde nunca mais poderá voltar.

quinta-feira, junho 09, 2005

Estado em que se encontra este blogue: pink.


Gwen Stefani
Segunda adenda: a ler o comentário do Miguel Marujo, no Terra da Alegria, sobre a conversa entre David e Claire.
Porque é que adoro Desperate Housewives (2)


Cena do quarto episódio: Who's That Woman?

quarta-feira, junho 08, 2005

Mais um teste fundamental

Woody Allen
(Via George Michael.)

Como suspeito que haja pelo menos um onanista entre nós (blogueadores, entenda-se), aqui está uma lista cheia de coisas giras para experimentar.
Coisas que melhoram algumas vidas (26)

Ler um excelente artigo de Roger Scruton, Real Men Have Manners, recomendado pelo Alexandre Soares Silva. Só um bocadinho: "Politeness makes you part of things and so gives you an enduring edge over those who never acquired it. And this gives us a clue to the real nature of rudeness: to be rude is not just to be selfish, in the way that children (until taught otherwise) and animals are instinctively selfish; it is to be ostentatiously alone. Even in the most genial gathering, the rude person will betray, by some word or gesture, that he is not really part of it. Of course he is there, a living organism, with wants and needs. But he does not belong in the conversation."

terça-feira, junho 07, 2005

Porque é que adoro Desperate Housewives (1)

(DR. GOLDFINE is leaning against his desk, watching as BREE sews his button back on.)

DR. GOLDFINE: I'm sure Freud would not approve of this.

BREE: Oh, who cares what he thinks? I took psychology in college, we learned all about Freud. A miserable human being.

DR. GOLDFINE: What makes you say that?

BREE: Well, think about it. He grew up in the late 1800's, there were no appliances back then. His mother had to do everything by hand, just backbreaking work from sunup to sundown. Not to mention the countless other sacrifices she probably had to make to take care of her family. And what does he do? He grows up and becomes famous, peddling a theory that the problems of most adults can be traced back to something awful their mother has done. (sighs) She must have felt so betrayed. He saw how hard she worked; he saw what she did for him. Did he even ever think to say, thank you? I doubt it. (smiles at DR. GOLDFINE, helping him put his jacket back on.) There you go.

DR. GOLDFINE: Just so you know, many of Freud's theories have been discredited.

BREE: Good. (smiles, turns to leave)

Cena do segundo episódio: Ah, But Underneath.
Six Feet Under Notes


Claire para Edie: "Try not to look sexually objectified."

Rebolar na relva é muito bom. Os americanos têm muito espaço, bons relvados, fofinhos e bem cheirosos. Percebi tão bem a vontade de rebolar na relva e não tinha tomado aquela droga espantosa (demi-qualquer-coisa), tipo Ecstasy, mas mais forte. Concordo com a Diotima: um episódio magistral. Por causa de Claire. Das suas preocupações profundas e sérias em relação à arte e à vida das pessoas (como conjugar as coisas; o que é que importa). Ou melhor, de "Claire! Claire! Claire!", como enfatiza o Luís. Depois: David "I'm Fine" Fisher e a vergonha de ter pedido ajuda por causa de um ataque de pânico e a mentira descarada que conta a Ruth: "Sometimes bad things happen and it doesn't make sense"; o engano de Rico, a justificação de Rico, os segredinhos de George (o Neti na prateleira de cima, disgusting!) e a infelicidade de Ruth (um casamento que mal começou já acabou), Nate, um "pródigo regressado à causa dos funerais", citando o Luís Carmelo e Brenda, que também volta porque não consegue ter outra vida.

Adenda: Ivan, as fotografias são descaradamente roubadas do site oficial (Episode Guide). Qualquer dia, prendem-me.
Estado em que se encontra este blogue

segunda-feira, junho 06, 2005

Bomba de Ouro: "Pessoas interessadas são pessoas interessantes. Dedicadas ao jardim, à genealogia, à direcção da colectividade, aos livros, ao ciclo-turismo. Que não deixam morrer o entusiasmo nos braços da vida real", de Ana Cláudia Vicente, no Quatro Caminhos.

domingo, junho 05, 2005

Por falar em testes...


Congratulations! You are Bree Van De Kamp, the
Martha Stewart on steroids, whose family is
about to mutiny.

Cá está.
Introducing...*


Fotografia roubada ao Miguel Manso

«É desta que corto as veias do tornozelo com a gillette, que o meu marido esqueceu na casa de banho antes de emigrar para Madrid.» (17) Assim começa O Livro da Rititi. Ora, em vez de cortar as veias do tornozelo, a Rita fez as malas e partiu para Madrid. Foi aí que nasceu uma espécie de amiga imaginária - ou de eu imaginário: a Rititi.

São várias as preocupações da Rititi. Por exemplo, preocupações ginecológicas: «Pesam-me as mamas, não posso com as minhas pernas, já para não falar da dor de rins.» (142) A Rititi fala dos bastidores das mulheres e daquilo que não é glamouroso nem sedutor.

A Rititi tem preocupações femininas: «Detesto trabalhar. Rezo no duche a Santa Rita para que o meu querido enriqueça rapidamente e me possa dedicar às tarefas de dona de casa (deixando à Adriana a limpeza, o ferro e a cozinha). (129) A Rititi é uma mulher à antiga, mas que quer o melhor dos dois mundos. Quer tempo e descontracção com mordomias. Não é a única.

A Rititi preocupa-se com o declínio do sexo masculino: «Para complicar ainda mais as coisas agora temos estes metrossexuais da treta a ganharem pontos aos mecânicos e camionistas nas fantasias erótico-festivas do gajedo pré-idade madura!» (109) Trata-se de uma verdadeira conservadora, que gosta de homens sem ambiguidades. Ou melhor, que gosta do marido. Também na sua vida em Madrid, lamenta os tempos modernos e escreve: «(?) os habitantes do antigamente, os tipicamente espanhóis e castiços, desses já há poucos, e, se existem, só devem sair à noite para encher bares e vomitar à porta do meu prédio.» (88) É provável que a Rititi more numa espécie de Bairro Alto madrileno.

Finalmente, preocupa-se com as minorias e diz: «É sempre bom confirmar a razão pela qual não gosto de gajas, penso eu, enquanto me imagino a partilhar tampaxes e ginecologista com o amor da minha vida.» (165) A Rititi preocupa-se com os homossexuais, com os aficionados das touradas, com as senhoras invejosas. E com a vizinha do 3.º D.

A Rita, no seu blogue, partilhou angústias e alegrias com todos nós, ao escrever textos, que foram comentados, que provocaram indignação e que foram levados em ombros por essa blogosfera fora. A sua escrita apressada, tão precipitada quanto sincera e, sobretudo, muito divertida foi recebida de braços abertos pelos desconhecidos internautas do costume. Talvez por ser uma eterna optimista, a Rititi indigna-se, reivindica, estica o dedo no ar e diz de sua justiça. Tal seria absolutamente insuportável se nos textos não houvesse humor. Teríamos uma espécie de Francisco Louçã de saias. Mas não. Graças a Deus, a Rititi, quando aponta o dedo, diz uma piada, o que faz toda a diferença e a torna infinitamente mais interessante.

Tenho estado a falar da Rita e da Rititi indiscriminadamente. A Rita fez de si própria uma personagem - a Rititi -, exagerando o quotidiano, acrescentando muitos pontos a muitos contos. Julgo que a Rititi é a Rita completamente à solta. Mas não sei onde acaba uma e começa a outra, nem me interessa. Aquilo que, de facto, importa - os textos - está aí para ser lido e desfrutado por todos.

Poucos blogues sobrevivem além da blogosfera. Uns porque tratam apenas do efémero e repetem notícias; outros porque são de facto diários, e como tal, demasiado íntimos, pouco virados para fora, escritos apenas para os próprios e para os amigos. Temos depois as excepções, que justificam, na minha opinião, a sua publicação em papel: os blogues que se transcendem a si próprios. Isso não significa que o blogue, lá por ser publicado, seja superior àquele que não é publicável. O blogue publicável é aquele que, além de ter um prazo de validade mais extenso do que o habitual, pode interessar a pessoas que nada têm a ver com a blogosfera, que não sabem sequer da sua existência.

Não há melhor campo de treino para a escrita do que um blogue. Porque é giro e porque é público. Quando se escreve, escreve-se em público, mas na blogosfera há uma particularidade diferente: o contacto imediato com o leitor. Também as reacções públicas, de louvor ou de rejeição, permitem que a escrita seja testada. Ter um blogue é fazer um teste a si próprio. A taxa de chumbo é altíssima, mas por uma vez não faz mal nenhum que assim seja. A Rita passou com a nota máxima.

O blogue da Rita, embora escrito na primeira pessoa, nunca foi um blogue privado nem intimista. A Rita, ao observar o que a rodeia e a partilhar connosco as suas angústias e alegrias, de uma forma tão aparentemente despudorada, disse-nos qualquer coisa sobre nós. Muitos lêem os seus textos e pensam, «sim, as coisas são mesmo assim» ou «não, não é nada disto!», mas nunca ficam indiferentes às suas palavras. Não basta escrever bem; há que ter alguma coisa para dizer. A Rita começou agora. Temos escritora. Saudemos O Livro da Rititi!

* Texto de apresentação de O Livro da Rititi, lido no 4 de Junho de 2005, pelas 18h20, na Fnac do Chiado.
The sound of bomba: ontem comprei um CD magnífico, Acapulco. Na capa podemos ler a seguinte citação de Miles Davis sobre João Gilberto: "He could read a newspaper and sound good." O tema comovedor que ouvem chama-se O Sapo.
Coisas que melhoram algumas vidas (25)

Ouvir, no Bombyx Mori, James Joyce a ler uma parte do sétimo capítulo de Ulysses, de "Impromptu" e "From the Fathers". Não resisto a transcrever o excerto.

"He began:
- Mr Chairman, ladies and gentlemen: Great was my admiration in listening to the remarks addressed to the youth of Ireland a moment since by my learned friend. It seemed to me that I had been transported into a country far away from this country, into an age remote from this age, that I stood in ancient Egypt and that I was listening to the speech of some highpriest of that land addressed to the youthful Moses.
His listeners held their cigarettes poised to hear, their smoke ascending in frail stalks that flowered with his speech. And let our crooked smokes. Noble words coming. Look out. Could you try your hand at it yourself?
- And it seemed to me that I heard the voice of that Egyptian highpriest raised in a tone of like haughtiness and like pride. I heard his words and their meaning was revealed to me.

It was revealed to me that those things are good which yet are corrupted which neither if they were supremely good nor unless they were good could be corrupted. Ah, curse you! That's saint Augustine.
- Why will you jews not accept our culture, our religion and our language? You are a tribe of nomad herdsmen; we are a mighty people. You have no cities nor no wealth: our cities are hives of humanity and our galleys, trireme and quadrireme, laden with all manner merchandise furrow the waters of the known globe. You have but emerged from primitive conditions: we have a literature, a priesthood, an agelong history and a polity.
Nile.
Child, man, effigy.
By the Nilebank the babemaries kneel, cradle of bulrushes: a man supple in combat: stonehorned, stonebearded, heart of stone.
- You pray to a local and obscure idol: our temples, majestic and mysterious, are the abodes of Isis and Osiris, of Horus and Ammon Ra. Yours serfdom, awe and humbleness: ours thunder and the seas. Israel is weak and few are her children: Egypt is an host and terrible are her arms. Vagrants and daylabourers are you called: the world trembles at our name.
A dumb belch of hunger cleft his speech. He lifted his voice above it boldly:
- But, ladies and gentlemen, had the youthful Moses listened to and accepted that view of life, had he bowed his head and bowed his will and bowed his spirit before that arrogant admonition he would never have brought the chosen people out of their house of bondage nor followed the pillar of the cloud by day. He would never have spoken with the Eternal amid lightnings on Sinai's mountaintop nor ever have come down with the light of inspiration shining in his countenance and bearing in his arms the tables of the law, graven in the language of the outlaw."

sexta-feira, junho 03, 2005

quinta-feira, junho 02, 2005

Adenda: a imagem certa para Lobo bobo, que toca ainda, está n' A Praia, o melhor sítio onde se pode estar.
Coisas que pioram algumas vidas: ler o angustiante relato do Luís (até me vieram as lágrimas aos olhos) e pensar: "espera lá, mas eu gravei!" (sim, ao mesmo tempo que via... don't ask); lançar-me na pesquisa da cassete e perceber que gravei um CSI Las Vegas por cima. E ainda pior: um daqueles episódios, em que se conclui que tudo não passou de um acidente (fico nervosa a ver a culpa desperdiçada)! Para a semana será melhor. Entretanto a Ana Cláudia preparou um magnífico resumo do episódio.
Eu hoje acordei assim...


Madonna

... no segundo (e espero que último) dia de bad hair...

quarta-feira, junho 01, 2005

Bomba de Ouro: Hoje eu acordou assim..., no genial Malapata. Eu gosta!
Eu hoje acordei assim...


Marisa Tomei

... bad hair day?

Seguidores

Arquivo do blogue