blogue de carla hilário de almeida quevedo bombainteligente@gmail.com

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Bomba de Ouro: "Rabi – Não sei explicar, adoro a palavra rabi. Lá na minha rua (na Margem) utilizava-se muito, em contextos como: "Já alguma vez tinhas pensado, Rabi?" "Népia, Rabi, nunca pensei". Enfim." batukada, claro.
Educação musical (43)

Educação musical (42)

Educação musical (41)



Muitíssimo bem lembrado pelo Supa Fly Jay!
Muitos séculos de melodrama

É comum ouvirmos de casais desavindos queixas amorosas do género «não somos capazes de viver um com o outro, mas também não conseguimos viver um sem o outro». Esta revelação de incapacidade de relacionamento está muito longe de ser novidade. Basta lermos a frase em Ovídio: «Assim, nem sem ti nem contigo sou capaz de viver» (Amores, III, 11b, 7, tradução de Carlos Ascenso André). Rapidamente imaginamos a novela sofredora, as separações seguidas de reconciliações por sua vez seguidas mais uma vez por separações. Pensando bem, talvez a perfeita relação sado-masoquista seja aquela que se resume a esta frase. A incerteza é fundamental para manter uma ilusão de paixão, como se estar completamente apaixonado por outra pessoa precisasse da instabilidade para confirmar o sentimento. Gostar muito de alguém não depende de ambiguidades, dúvidas nem desequilíbrios emocionais. Mas não há nada a fazer, a natureza humana é complexa, não é? Pois se até os U2 cantam «I can’t live with or without you» em alto e bom som…

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 16-02-08.
Provérbios do nosso descontentamento



"Quem anda à chuva molha-se" é um dos nossos piores provérbios. Imagino sempre o pior de quem o profere e o melhor da vítima do moralismo bacoco (passo a redundância), que, muito satisfeita, canta e dança como Gene Kelly em Singin' In The Rain. "Andar à chuva" significa, neste contexto proverbial, provocar uma situação a evitar porque as consequências são evidentemente as piores. Hm, e os chapéus-de-chuva? E as impecáveis e impermeáveis gabardinas? E as galochas de alta-costura? Há quem ande à chuva mais protegido, outros preferem tapar a cabeça cm um jornal e outros ainda enfrentam as tempestades com a certeza de que um banho quentinho os espera no fim da travessia marítima. A expressão que acompanha este provérbio (ou que por vezes o substitui) é a sobejamente conhecida "estava-se mesmo a ver". Em Portugal, temos um vidente em cada esquina! Mas até os nossos videntes são especiais: falo daqueles que sabem que tudo aconteceu depois de tudo ter de facto acontecido. São os mesmos que têm o conhecimento adquirido do género "quem anda à chuva molha-se", mesmo que nunca tenham sequer posto o pé fora de casa, quanto mais chapinhado alegremente na via pública em pleno temporal.

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-02-07.
Dias de chuva: um clássico

domingo, fevereiro 17, 2008

Alain de Botton sobre Sócrates



Óptimas imagens de Atenas (ah, tantas saudades) e um início completamente ao meu gosto: "Sócrates era muito feio". A ver a segunda parte e a terceira também.
Alain de Botton sobre Séneca (3)



Terceiro conselho: perceber que não controlamos nada, que a Fortuna faz o que tem a fazer e que é independente de nós. Sim, mas mesmo que aceitemos que tudo pode correr mal e que estejamos preparados para o pior, não me parece bom que não soframos quando o mal acontece. Perante a perda de um ente querido (seguindo mais uma vez um exemplo dado nesta parte do documentário), mesmo sabendo que essa perda é inevitável, não sofrer é um sinal de desumanidade.
Alain de Botton sobre Séneca (2)



Segundo conselho: reflectir sobre todas as coisas que podem correr mal para poder viver com serenidade o dia em que tudo realmente corre mal. Mas a pergunta a fazer aos que pensam que têm o dom de controlar o destino, a surpresa, a frustração - e os outros, a questão é essa - é who the hell do you think you are?
Alain de Botton sobre Séneca (1)



Primeiro conselho: ser menos optimista, reduzir as expectativas que temos em relação aos outros para não nos desiludirmos nem termos crises de ira. É então possível concluir daqui que Séneca acreditava que quem tem expectativas, de certa forma, está certo, o que não é de todo verdade. Quem espera que os outros conduzam bem (mantendo o exemplo apresentado por Allain de Botton) e nunca cometam erros está a dizer de si próprio que tem uma condução irrepreensível e nunca erra, e que, por isso mesmo, tem toda a razão em não aceitar que os outros guiem mal. Mas assim as suas expectativas são simplesmente irrealizáveis. Como tal, porquê tê-las? Freud responderá melhor a esta pergunta.
Eu hoje acordei assim...


Milla Jovovich

... está a chover, a visibilidade é fraca, mas estes pormenores não tornam este dia num dia feio, muito pelo contrário. A água é precisa (muito necessária, aliás, como bem sabem os que seguem o bomba) e uma certa nebulosidade também nem sempre é má. Este blogue já cresceu o suficiente para aceitar o lusco-fusco; que é como quem diz, a ambiguidade. Mas coisa gira, mesmo muito gira, é a escolha de palavras da Fátima e da Fátima Júnior. Uma beleza!

sábado, fevereiro 16, 2008

Séneca, sempre©

"Observações sobre os costumes, sobre os deveres, é possível fazê-las de um modo geral e por escrito; são conselhos que se podem dar não só a ausentes, como até à posteridade. Mas a maneira e a ocasião de tomar uma decisão concreta, isso ninguém pode aconselhá-lo à distância, é forçoso deliberar em face das próprias circunstâncias. Para captar a oportunidade no momento justo é preciso não só estar presente, como estar atento. Põe-te, por conseguinte na expectativa, e assim que surpreenderes a oportunidade agarra-a com toda a rapidez, com toda a energia, e liberta-te definitivamente desses teus falaciosos deveres! Repara bem no conselho que te dou: em meu entender tens de libertar-te desse tipo de vida, ou de deixar a vida, sem mais. Mas penso também que deves proceder gradualmente, que é preferível desatar do que cortar os laços em que, para teu mal, te enredaste, na condição, porém, de estares disposto a cortá-los se não houver maneira alguma de os desatar." Cartas a Lucílio, I, 22, 2-4.
Educação musical (40)







(Assim temos mais uma divisão do mundo: aqueles que sabem Rapper's Delight de cor e o resto da população mundial.)

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Estado em que se encontra este blogue

Dentes de leite

Eu hoje acordei assim...


Elle McPherson

... a pensar numa coisa importantíssima e também que 1) gostei de Californication, embora tenha ficado com uma sensação muito estranha de been there, done that and got a life; 2) adorei o episódio em que Sherlock Holmes aparece no consultório do Dr. Watson três anos depois de ter sido dado como morto na Suíça (chorei baba e ranho, claro). Três anos passaram e o homem regressa ao trabalho como se nada fosse e nem um beijinho, um abraço, uma lágrima ao canto do olho, nada; os festejos resumem-se a uma taça de champanhe trazida pela Mrs. Hudson e só quando o caso é resolvido. Percebo mas está mal, que diabo! Um pouco mais de afectividade, por favor; e 3) a pensar que gosto muito de um tom de cinzento metalizado ou muito claro, quase brilhante, que lembra uma luz de hospital.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Modo de vida: "Too much of a good thing can be wonderful." Mae West
"If this guy can talk, I'll take him": de uma entrevista histórica com Mae West.
Especial Dia de São Valentim: "I was married by a judge. I should have asked for a jury." Groucho Marx

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