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A apresentar mensagens correspondentes à consulta os insultos e eu silêncio ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
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terça-feira, janeiro 03, 2006

Os insultos e eu

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Madonna fotografada para a revista Ladies Home Journal, por Lorenzo Agius.

Há uma prática de insulto fácil na blogosfera. Esta é uma das principais razões por que não é levada a sério. Além da inveja e do ressabiamento em muitos blogues, anónimos ou assinados, e em caixas de comentários, ainda temos o problema dos insultos. Julgo que o assunto merece alguma atenção, embora a resposta a esse tipo de abordagem tenha de ser - insisto - o silêncio e a indiferença, em todas as circunstâncias, sem excepção.

Não, não vou falar sobre a famosa frase de Wittgenstein: «Acerca daquilo de que se não pode falar, tem de se ficar em silêncio» (Tractatus, 6.54). Muitos a citam, erradamente, como um exemplo de incentivo à prudência na utilização das palavras. Wittgenstein não aconselhava nada a ninguém.

O silêncio como resposta a um insulto tem um significado muito concreto. Qualquer pessoa decente percebe-o. Mas aqui reside o erro de que falo neste último parágrafo: as criaturas - anónimas ou não - que insultam o próximo não são decentes e por isso não compreendem o silêncio como resposta. Se não compreendem as palavras, como hão-de compreender o silêncio? Aquele abaixo dos níveis mínimos de dignidade chega a confundi-lo com vergonha ou cobardia e considera-o uma espécie de sinal verde para continuar a sua prática difamatória. Tenho tentado perceber a confusão e concluí o seguinte: quem insulta quer falar, conversar, resolver qualquer coisa lá sua com um completo estranho, tagarelando, dizendo coisas, usando as palavras como se fossem tijolos. Quando se depara com o silêncio absoluto, fica sem saber o que fazer. Atira os tijolos contra uma parede e, olhando para os cacos, recusa-se a aceitar que se partiram. A questão é apenas afectiva. Vieram bater à porta errada. Não sou a pessoa indicada para tratar os afectos mal resolvidos de estranhos.

Há, nos dias de hoje, um excesso de palavreado. Ora a overdose de vocábulos cria uma ilusão estranha nas pessoas: elas julgam que, de facto, estão a dizer alguma coisa. Eu não acho. As diferenças ficam estabelecidas à partida. A partir daí, não há nada a fazer. Falar é, nos dias de hoje, um acto estimulado ao máximo. Não faltam meios para falar - telefones fixos e móveis, chats, e-mail, msn, google talk, blogues. Alguns, no entanto, no meio do caos verborreico, fazem uma selecção do que querem ouvir. É o meu caso. Eu, por princípio, não dou ouvidos nem olhos a insultos e raramente registo. Não é bom que registe, por razões que só a mim dizem respeito. É também verdade que não sou das pessoas mais faladoras do mundo.

O bomba inteligente é um blogue de boa disposição, de boa vida e de alegria, feito com o meu gosto, que vai desde Borges ao sapo Jamba (um gosto recente, mas nem por isso menos intenso), passando por tango, Juliette Gréco, Kavafis, linguística grega, Madonna, acordar assim e assado, estar num estado cozido e frito, entre outros. Se os gostos definissem as pessoas, estava tramada. Não por gostar de coisas, que, para alguns, são consideradas menores, mas por causa da variedade, que dificulta a etiquetagem e confunde as suas pobres cabeças. A ideia «se gostas de x é porque és y» sempre me soou a psicologia estulta (gosto desta redundância, pronto) e não me interessa para nada. Digo isto porque há gente que me insulta, que parece interessada em saber o que sou (uma contradição?); ou melhor, interessada em que eu corresponda a uma ideia que têm de mim; a qual, infelizmente, é sempre muito desagradável, o que me parece um desperdício para quem se dá ao trabalho de imaginar.

Por vezes, deparo-me com posts e comentários, em blogues alheios e respectivas caixas, que me parecem dignos do mais imundo dos caixotes do lixo. Nunca processei ninguém também porque acredito profunda e seriamente na liberdade de expressão. Houve gente que deu a vida por ela, que diabo! O facto de não responder é ainda uma prova de respeito por essa liberdade, que, acredito, deve ter cada vez menos restrições. Cada um diz o que quer e o que pode e há uns quantos que não dão para mais, senhores. Uma coisa é certa: somos os únicos responsáveis por aquilo que dizemos. Se alguém me calunia, essa pessoa é responsável pelas suas palavras. A melhor coisa que lhe pode acontecer é ser ignorada e esquecida, porque no dia em que decida que é grave o que diz, não resolvo a questão no blogue.

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